Estuário Mira

O valor Natural de Conservação

O estuário do Mira é um sistema salobro globalmente bem preservado, cujo principal valor em termos de conservação resulta precisamente de apresentar comunidades biológicas equilibradas e próximas de uma situação pristina, por atualmente ser alvo de poucas pressões antrópicas e as existentes terem baixa intensidade.

Apesar disso, neste particular, merecem uma referência especial os povoamentos de fanerogâmicas aquáticas (
Zostera noltii) que ocorrem na região terminal do curso de água, uma vez que, por funcionarem como zona de reprodução e viveiro para muitas espécies de invertebrados e peixes, algumas das quais com importância económica, assumem um valor ecológico excecional e uma importância acrescida em termos de conservação.

Destaque ainda para a presença neste estuário de populações relevantes de enguia (Anguilla anguilla), espécie catádroma ameaçada em toda a sua área de distribuição e considerada Criticamente em Perigo em Portugal, a qual ocorre precisamente nessas pradarias marinhas e, principalmente, na zona superior do sistema. As regiões montante do estuário e jusante do rio servem ainda como local de reprodução para a savelha (Alosa fallax), espécie anádroma com estatuto de conservação Vulnerável em Portugal. Os povoamentos de Zostera referidos cosntituem ainda o habitat preferencial de duas espécies de cavalos-marinhos (Hippocampus guttulatus e Hippocampus hippocampus), que embora sem estatuto de conservação especial atribuído, se julga estarem, de alguma forma, ameaçadas em Portugal.

As ameaças ao sistema

Atualmente, as principais ameaças ao ecossistema do estuário do Mira derivam da atividade agrícola e florestal nas suas margens e no Perímetro de Rega do Mira (que recebe a generalidade da água retida na albufeira da barragem de Santa Clara e cujas escorrências são parcialmente devolvidas à bacia hidrográfica do Mira), da expansão dos principais núcleos urbanos locais, sobretudo Odemira e Vila Nova de Milfontes, e da crescente procura turística na região, que leva à construção de novas edificações destinadas a esta atividade e ao incremento da presença humana. No seu conjunto, estas atividades contribuem para a degradação da qualidade da água, perda de habitat aquático ou ribeirinho e assoreamento do curso estuarino. A exploração dos recursos haliêuticos constitui uma pressão adicional sobre o sistema e as respetivas comunidades biológicas. Outros fatores de risco acrescido estão relacionados com alterações climáticas, introdução de espécies não indígenas e o colapso dos povoamentos de fanerogâmicas marinhas.

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O tipo de investigação que é feita

  • Monitorização em contínuo de alguns parâmetros físico-químicos e biológicos da água e da movimentação de animais marcados, no âmbito da infraestrutura CoastNet (https://coastnet.pt/), também existente no estuário do Mondego;
  • Monitorização da presença de espécies não indígenas, com especial destaque para aquelas com carácter invasor;
  • Monitorização das comunidades de peixes e invertebrados bentónicos e acompanhamento dos efeitos das alterações climáticas e das flutuações nos povoamentos de Zostera nestas comunidades;
  • Análise da qualidade ecológica das massas de água no âmbito da monitorização do sistema realizada para cumprimento dos requisitos de implementação da Diretiva-Quadro da Água.
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